Serviço ensina

Luís Paulo Souza conheceu a Saúde É Meu Lugar por acaso, zapeando nas redes sociais. O nome do projeto chamou sua atenção (porque saúde é o lugar dele!) e, quando ele entrou no nosso site pra ver, sacou que ali estava uma chance de não só mostrar o seu trabalho como também de protegê-lo. “Quantas vezes a gente não perde arquivos, vídeos, fotos interessantes, que contam a  história do nosso dia a dia na saúde? Eu já perdi vários. Além de facilitar o intercâmbio de ideias, Saúde É Meu Lugar é um banco de dados, um banco de experiências”, disse ele pra gente.

Luís Paulo foi um dos quatro narradores convidados para a mostra da região Sudeste. Graduado em enfermagem, ele se formou em Saúde Pública e hoje é professor da  Universidade Federal de São João del Rey, em Minas.

O professor Luís Paulo vê na SML uma chance pra compartilhar experiências e guardá-las pra sempre

Em BH, ele contou pro público que vê na música uma maneira de, ao mesmo tempo, interagir com as pessoas e cuidar delas. “A construção da saúde se faz para além dos hospitais e das consultas agendadas”, afirmou. Luís também falou sobre a importância da abordagem comunitária: “Precisamos apresentar a equipe, o sistema, a Atenção  Primária para as pessoas. A educação popular significa empoderar o usuário e organizar o atendimento a partir da demanda dele. Assim, podemos ter uma assistência que acolha, ensine e faça a diferença”.

Na docência, o foco de Luís Paulo está na saúde coletiva e na integração entre ensino e serviço nas comunidades. Por isso, ele foi escolhido para ‘disparar’ o debate na roda de conversa que a integração ensino-serviço como tema. Esse espaço contou com a presença de Cássia Beatriz Batista (UFSJ), também da UFSJ, Tatiana Lopes, da Maternidade Sofia Feldman (MG), e Mônica Rezende, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz)

Cássia salientou que tanto a escola quanto o serviço têm a função do ensino e da aprengizagem, e reforçou o fato de que esses dois espaços estão perpassados por determinadas disputas que influenciam, e muito, a maneira como se o ensino se materializa: “O modelo capitalista mercadológico captura a prática da saúde e a educação. Esse é um grande enfrentamento. A realidade, tanto nas escolas quanto nos serviços, é fragmentada, e não deveria. O serviço produz conhecimento cotidiano, e as escolas precisam ajudar a sistematizar esse conhecimento. A pesquisa e a extensão podem trabalhar junto com o serviço e para o serviço, para mudar e potencializar o serviço”.

Tatiana reforçou a ideia das instituições de serviço como espaços de ensino, e comentou os desafios da preceptoria nas relações de formação e cuidado em saúde, levantando algumas questões sobre o papel dos preceptores (profissionais que orientam estudantes e recém-graduados nos serviços). Esse foi um dos temas mais desenvolvidos pela plateia: o desafio de se preparar melhor para reconhecer e assumir esse papel foi colocado durante as intervenções.

Já Mônica fez uma provocação quanto à relação ensino-serviço: “Esse termo polariza, quando diz que quer integrar. Divide, para depois dizer que tem que aproximar.  Onde aprendemos? Onde ensinamos? Como aprendemos? Como ensinamos? Será que queremos aprender? Ou será que nos encerramos no conhecimento científico?”, questionou.

Luís Paulo disse que, a julgar pelas suas próprias impressões e pelas conversas com outros participantes, a avaliação da Mostra foi unânime: perfeita. “Eu saí de lá ainda mais estimulado para abraçar e defender o SUS e a saúde coletiva. A forma como as discussões foram organizadas – o pessoal da academia junto com as experiências práticas – ajudou a gerar ótimas reflexões. Todos nós saímos de lá com mais gás pra acreditar no nosso trabalho, sabe?”. Sim, a gente sabe 😉

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