“O ACS é alguém que muda a história”

Giovani de Athayde é o tipo de profissional que não espera as coisas acontecerem para então trabalhar nelas: vê o que precisa e pode ser feito e parte para a ação. Ele é agente comunitário de saúde (ACS) em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, e nós o convidamos para participar da Edição Sudeste por conta de um relato muito inspirador que recebemos dele. Foi essa a história que ele contou na roda de conversa sobre a formação dos agentes comunitários de saúde e de endemias.

Giovani Athayde, na mostra em Curitiba

Depois de ver o quanto aprendia com seu próprio filho, Giovani teve a ideia de criar o Grupo de Adolescentes Multiplicadores de Saúde, o GAMS, que funciona há três anos em uma das escolas municipais da cidade. 

A ideia é muito boa: uma vez por semana, ACS vão à escola e conversam sobre saúde com os alunos que participam do projeto; esses alunos contam naturalmente o que aprenderam aos colegas e familiares e, agora, já são até convidados para palestrar em outros lugares. O papo engloba temas diversos, como alimentação saudável, exercícios físicos, saúde mental e cuidados com o meio ambiente.

Giovani contou que o projeto é possível graças à integração forte que existe entre a escola e sua equipe de saúde da família, articuladas no Programa Saúde na Escola – há também outros parceiros. O convite para participar do projeto é feito às turmas do 7º, 8º e 9º anos, e os adolescentes que aderem ao grupo podem permanecer até o fim do 9º ano. Carlos disse que os resultados, principalmente nas famílias dos alunos do Grupo, são bastante visíveis. “A ideia é dar protagonismo aos adolescentes. Quando é um adulto falando em sala de aula, há poucas perguntas, eles interagem pouco. Mas quando a conversa sobre saúde é guiada pelos adolescentes, surge muita interação, muitas questões. Senão dermos protagonismo para eles falarem agora sobre saúde, vamos ter que, lá na frente, falar de doença. E não é isso o que queremos”, disse ele durante a roda.

Giovani falando sobre o Grupo de Adolescentes Multiplicadores de Saúde

À nossa equipe, ele contou que a riqueza de ser agente comunitário está em atingir assim, tão diretamente, a população: “Eu trabalhava em um hospital privado na cidade, mas não conseguia fazer muitas coisas interessantes. Minha irmã era ACS desde 2009 e eu vi que ali eu poderia fazer a diferença: que, mesmo ganhando pouco, eu conseguiria fazer alguma coisa pela população”. Em contato constante e direto com a comunidade, o ACS é alguém que pode ajudar a criar uma cultura de prevenção e promoção da saúde, e essa é uma de suas grandes motivações: “Em Novo Hamburgo a Estratégia de Saúde da Família é recente e as pessoas ainda procuram muito os serviços só quando estão com algum problema realmente grave, não existe tanto a ideia de que é preciso ter um cuidado diário com a saúde. Então estamos tentando mudar essa cultura. Acho que, no longo prazo, vamos conseguir. Acredito que o ACS é uma pessoa que muda a história”.

Ele disse também que participar da mostra é importante para ir na contramão do que se normalmente se noticia sobre o SUS: “É importante a gente contar as coisas boas que vêm sendo feitas, porque na mídia só se vê coisa ruim. Se a gente trocar conhecimento, compartilhar essas experiências que trazem bons resultados, isso pode se propagar e, quem sabe, fazer a diferença em outros lugares”.

E você, quer mostrar pro mundo como faz a diferença na sua cidade? Conta pra gente!

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