Saúde na rua

O SUS tem que ser pra todo mundo e, pra isso, precisa encontrar maneiras diferentes de atender a pessoas diferentes – afinal, cada uma tem suas demandas e características específicas. Ficamos muito felizes quando recebemos o relato da Pollyanna Santos porque sabemos que muita gente não conhece o tipo de trabalho que ela desenvolve: Pollyanna é dentista no Consultório na Rua de Palmas (TO), que atua de forma itinerante e acolhe pessoas em situação de rua em toda a cidade.

Pollyanna atendendo : todo lugar é lugar de saúde

Sua equipe é formada por sete pessoas (além da dentista, tem uma médica, uma enfermeira, uma psicóloga, uma assistente social e dois agentes sociais) e consegue atender a 85 pessoas. Apesar de os Consultórios na Rua terem sido criados formalmente em 2011 (pela Política Nacional de Atenção Básica), eles ainda não existem em todas as cidades brasileiras. Pollyana contou à nossa equipe que as atividades em Palmas começaram em julho do ano passado, quando foi feito um mapeamento. No início, houve uma atuação em conjunto com a equipe do projeto ‘Palmas que te acolhe’, que realiza ações preventivas e de reabilitação de jovens com dependências químicas. “Nos apresentamos como duas equipes diferentes e fomos criando vínculo com as pessoas, fazendo levantamento de suas necessidades… Em paralelo, fomos aos serviços de saúde do município, apresentando a equipe do Consultório na Rua e explicando aos demais servidores a nossa proposta, que é a de garantir o acesso a saúde a essas pessoas”, explicou.

Ela disse também que, no atendimento inicial, a equipe faz tudo o que pode ser feito na própria rua. “Quando é preciso um lugar específico para determinado atendimento, articulamos com o Centro de Saúde da Comunidade mais próximo. Também fazemos o agendamento dos exames complementares e ficamos responsáveis pelo acompanhamento do paciente no dia do exame. Algumas delas precisam fazer uso de medicação contínua, então a equipe faz escalas para levar a medicação a pacientes, inclusive no período noturno e nos fins de semana”. O Consultório é itinerante, mas há locais com maior concentração de pessoas em situação de rua. Então, para garantir que elas sejam de fato acompanhadas, esses locais têm dias semanais fixos para visita.

Pollyanna: “Não me vejo atuando na área privada, trabalho no SUS por amor”

Desde que se formou, Pollyanna sempre atuou no SUS. “Não me vejo atuando na área privada, trabalho no SUS por amor. Minha maior motivação é poder atuar na profissão que escolhi, trabalhando com e para pessoas que muitas vezes perderam a vontade de viver, por acharem que estão esquecidas e que ninguém se importa com elas. Quando estamos com elas, ouvindo suas histórias, suas angústias e seus sonhos, percebo que veem em nós muito mais do que uma equipe de saúde. Acho que eles nos veem como uma esperança, conseguem ter uma expectativa de que as coisas melhorem”, contou a profissional, completando: “Outra motivação é saber que temos um sistema de saúde que de fato funciona, desde que cada profissional atue de forma competente e que seja estimulado para isso”.

Ela terminou nossa conversa dizendo  que acha nossa mostra superimportante: “É muito bom para que a gente consiga ver o que as pessoas em todo o Brasil têm feito em relação à saúde, e para que experiências vividas em outros lugares nos motivem a fazer o mesmo em nossos municípios”.

As imagens que ilustram esse post também estão na nossa mostra online, aqui e aqui.

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