Por que falar desse lugar?

Saúde é nosso lugar e nosso foco tá no território. Mas você sabe por que fizemos essa escolha, e o tanto de coisa que tivemos que bolar para que o território aparecesse de verdade nas nossas histórias?

Começamos a idealizar as mostras num momento que, por coincidência, era superdelicado para trabalhadores que estão na base da Estratégia Saúde da Família (ESF): em maio do ano passado, a portaria 958/2016 determinava a substituição dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) por auxiliares ou técnicos de enfermagem, tornando complementar (e não mais obrigatória) a sua presença na equipe mínima. A imensa mobilização da categoria acabou conseguindo derrubar o documento, mas não foi uma luta simples. (a gente nem imaginava que, pouco tempo depois, uma nova luta viria com a atualização da PNAB… :/ )

A figura do ACS é fundamental para o desenvolvimento da Atenção Básica em que a gente acredita: assentada no território e com ênfase na promoção da saúde e prevenção de doenças. A ameaça sofrida pela categoria nos fez refletir sobre o quanto esses profissionais – assim como Agentes de Combate a Endemias (ACEs), Agentes Comunitários Indígenas de Saúde (ACIS) agentes sociais  – são ao mesmo tempo tão importantes e tão precarizados.

Essa reflexão veio junto com uma outra: como já dissemos, o projeto vem de uma parceria entre a RedEscola, a Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz) e a Secretaria de Assistência à Saúde (SAS/MS), e o principal objetivo sempre esteve ligado à melhoria da qualidade na Atenção Básica. Ora, levando em conta a Política Nacional de Atenção Básica, o papel da ESF e as implicações da regionalização do sistema de saúde, fica claro que o território é uma ideia central: é no território que os problemas são diagnosticados e também é nele que as relações e práticas de saúde se estabelecem. Quando aquela portaria foi publicada, ela apontava para uma possível mudança na orientação do modelo da Atenção Básica. Por isso nos pareceu tão importante reforçar o território nas nossas mostras: daí o nosso conceito e o próprio nome Saúde é Meu Lugar.

E, se por um lado queremos ouvir, ler e ver histórias de todos os trabalhadores que atuam nos territórios, por outro percebemos a invisibilidade daqueles que existem no território: são justamente os os ACS, ACE, ACIS, os agentes sociais. Mesmo na 4ª Mostra Nacional de Atenção Básica, que nos inspirou no nascimento do Saúde é Meu Lugar, havia poucos relatos desses trabalhadores…  Então era neles que deveria estar nosso foco.

Conversamos com pesquisadores que atuam junto a esses profissionais e vimos que, para alcançar essa galera, era preciso desburocratizar os processos de cadastro e envio de relatos e divulgar nos meios de comunicação que eles usam mais. Aprendemos que nem sempre eles têm acesso irrestrito a computadores ou facilidade para manuseá-los, mas que  agentes de todo o país se articulam principalmente por meio do aplicativo  WhatsApp –  e uma grande sacada do projeto foi fazer dele nosso principal veículo. Decidimos que a nossa divulgação também seria feita pelas redes sociais e que até teríamos um site, mas que o centro das atividades seria mesmo o WhatsApp. Aí precisávamos bolar maneiras de não só divulgar o projeto mas também receber relatos por esse canal.

É a mostra mais democrática da face da Terra, porque você pode participar por todos os canais imagináveis! (quase todos, não vale sinal de fumaça…)

E decidimos também que, pra receber histórias do jeito mais democrático possível, elas não deveriam obedecer a critérios e formatos muito rígidos. Afinal, alguém que tem pouco ou nenhum acesso a computador não tem como enviar facilmente um texto de duas laudas… Então, pra que o maior número de pessoas conseguisse mostrar seu trabalho pra gente, decidimos que valia mandar texto, áudio, foto e vídeo. E que podia mandar de vários jeitos: escrevendo e-mail, cadastrando o relato no site ou simplesmente enviando pelo WhatsApp, para o número de celular do projeto.

Pra tudo dar certo, havia duas ‘missões’ importantíssimas: a primeira era construir uma estratégia legal de divulgação. Todo mundo precisava saber disso. Começamos logo a mapear as organizações de agentes e atores-chave que poderiam ser uma ponte entre a nossa equipe e os trabalhadores. Ao mesmo tempo, ainda no fim do ano passado, começamos uma campanha no Facebook para anunciar o projeto e dar pistas do que viria pela frente. No Encontro Nacional da RedEscola de 2016, em novembro, o Saúde é Meu Lugar foi anunciado às escolas da Rede, que prometeram já ajudar na divulgação em seus estados.

A segunda missão, vital, era construir toda essa parafernália tecnológica, que estava mais ou menos clara na nossa cabeça mas certamente ia dar um trabalhão pra sair do papel. Afinal, era algo que a gente nunca tinha visto antes.

Agora já está tudo pronto <3  e já temos quase 500 histórias! Quer conhecê-las? Clica aqui. Quer mandar as suas? Vem cá!

 

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