O Pinion em terras capixabas: só amor

Eita, cansaço gostoso! Estivemos no Espírito Santo e passamos a última quinta-feira todinha na Escola Técnica do SUS, que acolheu lindamente nossa mostra estadual por lá. Foram mais de cem pessoas contando histórias, discutindo, rindo, cantando e dançando com a gente. Ó que beleza:

Equipes SAÚDE É MEU LUGAR e ETSUS Vitória em um momento de respiro

A equipe da Escola foi super parceira, tanto na organização do evento como no contato com os trabalhadores do estado, pra incentivar que a galera mandasse relato pra gente. Resultado: até hoje, já temos mais de 130 relatos do Espírito Santo na nossa mostra online, e dezenas de pessoas nos procuraram ao vivo para compartilhar mais e mais histórias. Viva!

A estrutura do evento foi bem legal e democrática. Não teve palestra, foi tudo informal e a ênfase foi mesmo nas experiências dos trabalhadores. Funcionou assim: foram organizadas várias rodas de conversa em salas diferentes e, dentro de cada tema, quem tinha vontade de falar do seu trabalho ia lá na frente e falava à vontade. “As rodas têm mediadores, mas os protagonistas são vocês, que vão mostrar o que fazem de bom para o SUS em seus locais, e a partir daí vamos vivenciar essas experiências em conjunto”, disse a gerente da Escola, Sheila Cruz, durante a abertura.

Sheila Cruz, gerente da ETSUS Vitória, fala na abertura sobre o protagonismo do trabalhador da saúde no evento

Um representante da secretaria de estado da saúde, Luiz Cláudio da Silva, e a secretária municipal, Cátia Lisboa, estiveram presentes. “A primeira característica da Educação Permanente em Saúde é a importância de se conhecer o que o outro faz. E esse é o momento perfeito para isso. Muitos atacam o SUS, e vocês estão aqui para mostrar que ele dá certo. E, com esse encontro, a gente pode também melhorar o que faz, a partir da experiência do outro”, disse Luiz Cláudio. Cátia concordou, e acrescentou ainda o papel importante da mostra para fortalecer o SUS nesse momento de incertezas.

A Luana Furtado, da nossa equipe, ficou responsável por apresentar o Saúde É Meu Lugar pra quem ainda não conhecida e lançou o já tradicional convite para que as pessoas dessem seus relatos durante o dia. Claro que teve brinde pra quem contava histórias, né? Também entregamos um Pinionzinho pra Sheila e outros tantos foram sorteados entre a galera.

 

Rodas temáticas

O bate-papo durante a mostra foi organizado de acordo com as histórias que já tinham chegado pra gente, na nossa mostra online. E já tem tanta coisa, com tanto tema bacana… Foram seis rodas de conversa, várias delas ao mesmo tempo, e a gente correu de um lado pro outro pra tentar pegar um cadinho de tudo e contar aqui pra vocês.

Os temas eram todos muito envolventes: saúde mental na Atenção Básica, violência contra meninas e adolescentes, integração ensino-serviço-comunidade, promoção da saúde: integralidade e intersetorialidade no SUS, gênero e violência, saúde da pessoa idosa e práticas integrativas e complementares em saúde. Uau!

E no meio disso tudo teve muita experiência bacana. Na roda sobre integralidade, por exemplo, uma ACS e um ACE deram relatos muito especiais. Ela, Robertina Nogueira, falou sobre a escolinha de futebol que ajudou a criar na sua comunidade – e sobre como esse pode ser, também um espaço de promoção à saúde, não só pelo exercício físico, mas por causa de outras questões mais sublimes: “A gente conversa, conhece melhor as condições das famílias e aprende quais são suas dificuldades, conversa sobre limites e conversa também sobre questões que são muito problemáticas na região, como o tráfico de drogas”, contou ela.

Já Leonardo, que é ACE, deu um relato bem emocionante do acompanhamento que prestou a uma família. Quando foi visitá-la, ele percebeu a precariedade em que aquelas pessoas viviam e, para agravar, um dos membros era um menino com microcefalia. A família não estava sendo coberta por nenhum ACS naquele momento e estava muito desassistida… Então Leonardo acabou extrapolando suas funções de ACE e buscando melhorar aquelas condições, fazendo contato com a unidade de saúde, procurando uma cadeira de rodas para a criança, enfim, fazendo o máximo que podia. Ele então deu uma explicação simples pro princípio da equidade no SUS: “As pessoas não podem ter todas a mesma atenção, o mesmo cuidado… Porque aquelas que têm condições piores precisam de um acolhimento diferenciado”, disse, completando: “Nós, agentes, não devemos olhar só o nosso trabalho específico, temos que ter um olhar mais abrangente”.

Foi nessa sala que o ACE Leonardo e a ACS Robertina contaram um pouco sobre como desenvolvem a integralidade e a intersetorialidade nas suas profissões

Duas estudantes de medicina deram um relato liiiiiiiiindo sobre trabalhos sociais que vêm fazendo no último ano. Elas começaram por conta própria, têm um grupo de estudantes e promovem várias ações nas comunidades – ao todo, já foram 17! Uma das ações preferidas das duas foi no setembro amarelo (de combate ao suicídio), quando elas se ofereceram para doar abraços, e viram que muita gente sentia falta de conversar, de ter alguém que prestasse atenção no que sentiam. “Saúde não é só diagnóstico. É conversar, abraçar”, disse Laís, uma das estudantes.

A gente também se amarrou nas histórias do Almir Luz Junior, que é professor de educação física e trabalha com pessoas idosas. Ele viu que várias dessas pessoas sofrem com isolamento social – muita gente fica viúva e a aposentadoria também corta alguns vínculos sociais – e começou a promover caminhadas no parque, cafés da manhã coletivos… Até que, por sugestão dos próprios usuários, arrumou um jeito de levá-los para um passeio de um dia inteiro até Minas Gerais! O sucesso foi tremendo e ele já está pensando numa próxima edição.

Ah, as práticas integrativas e complementares, que aparecem direto na nossa mostra online (e a gente já até escreveu sobre isso aqui) também foram parte importante do nosso encontro, e algumas das nossas narradoras estiveram lá, como a Henriqueta do Sacramento, a Adriana da Silva e a Fabíola Pazinatto.

E mais uma coisa que deixou a gente bem feliz foi ver a participação dos usuários de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), que estiveram na mostra e falaram um pouco durante a roda sobre saúde mental, inclusive deixando seus relatos sobre as oficinas de que participam no CAPS: “Eu gosto de ir para a quadra, de caminhar, de fazer aula de relaxamento… E sou faixa laranja no judô, já ganhei o primeiro lugar!”, disse Genilson. Mas a presença dos usuários não ficou por aí: no encerramento da mostra, pacientes do Caps-Ad (e Álcool e outras drogas) do município de Serra fizeram uma apresentação musical muito maneira, botando todo mundo pra cantar!

Essa foi a nossa última mostra estadual de 2017, mas já temos altos planos pro ano que vem. E a mostra online não para nunca, tá? Se você quiser mandar suas histórias, clica aqui e manda ver!

Até mais 🙂

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