Meu, seu, nosso? De quem é esse lugar?

“Por que Saúde é Meu Lugar, e não Nosso? Afinal, não é o lugar de todos nós?”

Quem trouxe essa pergunta pra gente foi a Heloiza Freitas de Lima, que participou da nossa última mostra estadual, em Vitória/ES.

Achamos essa questão fantástica porque, apesar de a gente já ter falado aqui sobre como o projeto surgiu e foi se transformando nessa coisa maravilhinda que é hoje, nunca falamos com graaaandes detalhes sobre de onde veio esse nome.

E a crítica da Heloiza super faz sentido, né? Afinal, o que faz a Atenção Básica – e, no fim das contas, o SUS! – é o trabalho coletivo, a luta diária de um monte de profissionais de diferentes áreas que, juntos, fazem a coisa acontecer. Então, ainda em Vitória, a gente prometeu que ia juntar a galera da equipe, retomar o papo que nos levou a definir esse nome e escrever melhor sobre isso.

Bem… promessa é promessa 🙂

Na verdade, o que a gente entende é que não há “nosso” sem uma reflexão profunda sobre o “meu”. Melhor dizendo: a nossa ideia com o projeto é chegar na coletividade… mas a partir das individualidades. Sabemos que cada história contada, mesmo que contada por uma pessoa, é uma história no fundo coletiva, porque nenhum trabalho no SUS deve ser isolado. Mas a gente não quer que as experiências pessoais – as alegrias, dores, vivências – se diluam totalmente no coletivo. Afinal, a gente se coloca no mundo como indivíduos, e o coletivo brota a partir disso!

Achamos que é fundamental valorizar, mostrar e compartilhar o valor de cada pessoa que faz esse sistema funcionar. Será que, se cada profissional aparecesse mais e mais, o próprio SUS não seria ainda mais forte?

Lugar de quem?

Ah, tem outra questão que já discutimos, mas é sempre bom lembrar: quem pode falar desse lugar? Nossas mostras trazem relatos de um monte de profissionais diferentes, de ACS a médicos, de técnicos a assistentes sociais. Mas qualquer pessoa que atue na saúde, nos territórios, tem a saúde como seu lugar. Quer ver? O pessoal da segurança dos centros de saúde, o pessoal da educação que atue em ações do Programa Saúde na Escola, o pessoal da limpeza, da jardinagem, enfim, saúde é o lugar de toda essa galera também.

Então nem precisa ter formação específica na área pra dizer que saúde é o seu lugar? Pra gente, não. O que precisa é estar ali, no território e na saúde.

Um exemplo bem claro do quanto essa definição é abrangente está na nossa própria equipe. Às vezes algumas pessoas vêm falar com a gente e ficam surpresas com o fato de que nem todos nós temos alguma formação na área. ‘Uéééé, mas vocês não são da saúde?”, perguntam, e a gente responde na hora: “É claro que somos!” 🙂 Somos de um monte de áreas diferentes – jornalismo, design, antropologia, produção de eventos… – , trabalhamos há um tempão pelo SUS, somos apaixonados pelo sistema e, ainda por cima, fazemos questão de botar nosso pezinho no território o máximo possível (e é também por isso que amamos taaaanto as mostras presenciais). Não temos nenhuma dúvida de que saúde é o nosso lugar – no singular e no coletivo ;)!

Mas sabe o que de fato importa? Se saúde é o meu, e o nosso lugar, ela é também o seu lugar! É por isso que a gente quer mais é que você conte suas histórias… e é também por isso que estamos sempre abertos pra ouvir tudo o que você tem pra falar com a gente sobre o sobre saúde, sobre Atenção Básica, enfim, sobre tudo que a gente discute por aqui. Assim como fez a Heloiza, que não se acanhou na hora de chegar junto e fazer a pergunta que motivou esse post, né? Dá pra falar com a gente aqui nos comentários do blog e também nos posts do Facebook, do Instagram, do Twitter, do Youtube… E nesses lugares ainda dá pra rolar uma conversa não só com a gente, mas com outras pessoas que estejam comentando também. E aí? Bora conversar?

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